sexta-feira, 23 de outubro de 2015

CAPÍTULO 3

O lado bom de trabalhar com máquinas é que elas sempre são confiáveis. Pelo menos foi nisso que Melissa pensou quando o alarme tocou.
Ela era Supervisora-Chefe de Monitoramento da Área Leste. Basicamente, ela e sua equipe tinham a função de observar pessoas e os ambientes por meio das imagens transmitidas pelas câmeras espalhas pelo Reino.
A garota sentia orgulho de sua função, embora não fosse tão emocionante. Era raro as câmeras flagrarem confusões ou delitos na Área Leste, uma vez que era a região mais pacífica do Reino. O lado bom é que também podia monitorar as terras distantes, além da Cidade.
Às vezes, quando ela direcionava uma câmera para sobrevoar os campos de plantação e as florestas, sentia uma paz muito grande, e ficava ainda mais admirada quando as telas registravam a aparição de uma Fera. Aquelas criaturas poderiam ser feias e nojentas, mas despertavam certa curiosidade.
Naquele instante, sua equipe monitorava as ruas da Área Leste. Cada funcionário tinha seu respectivo monitor e tudo parecia calmo... Até o alarme tocar. O som era agudo e fez toda a equipe paralisar. As telas ficaram pretas e começaram a exibir um pontinho vermelho cruzando uma linha azul.
A imagem foi transferida para o telão central anexado a uma parede.
- O que está acontecendo? – perguntou Melissa, levantando-se de sua mesa.
Um homem de sua equipe respondeu:
- Estamos recebendo o sinal de um satélite. Algo acabou de entrar na nossa atmosfera. Está atravessando o Appa.
- Fale uma coisa que eu já não saiba – ela disse.
Melissa sabia exatamente o que a imagem estava retratando. Fazia parte do seu treinamento saber deste tipo de informação. O problema é que ela não tinha o conhecimento de nenhuma viagem espacial feita nos últimos dias. Tampouco nos últimos meses. Sendo assim... O que estava entrando no planeta?
- Temos algum registro de meteoritos orbitando perto de nós?
- Não – respondeu outro funcionário, clicando em sua tela e verificando os arquivos. – A órbita está limpa.
Melissa se aproximou do telão, intrigada.
- O que é você?
- Chefe? O objeto está se partindo...
Era verdade. A imagem mostrou que o ponto vermelho se dividiu em três pontinhos. Melissa soube que não poderia perder tempo. Tampouco poderia ficar nervosa diante de uma situação desconhecida; não existia protocolo para isso.
- Acionem os radares – ela ordenou. – Estabeleçam uma rota de colisão. Aproximem as câmeras; quero ver o momento do impacto.
Por mais que não estivesse habituada com tarefas rápidas, a equipe se saiu bem. Com a ajuda do sistema, o cálculo da trajetória de colisão logo foi traçado.
- Um dos pedaços vai cair na nossa região, perto das plantações. Os outros dois... No litoral, próximo a Dao.
- Ótimo – falou Melissa, mantendo a calma. – O que as câmeras dizem?
- Conseguiram registrar a imagem de um deles!
- Fotografe e transfira para o telão.
A imagem do satélite foi substituída pela foto de um objeto em chamas, mas não dava para identificar o que poderia ser.
- Aproximem – pediu Melissa.
A foto foi ampliada e então foi possível ver uma estrutura metálica. Mas isso seria bastante improvável...
- Isso é uma armadura robótica da Patrulha? – indagou um funcionário.

- É o que parece – respondeu Melissa. – Imprimam. Tem alguém que precisa ver isso. 

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