O lado bom de trabalhar
com máquinas é que elas sempre são confiáveis. Pelo menos foi
nisso que Melissa pensou quando o alarme tocou.
Ela era
Supervisora-Chefe de Monitoramento da Área Leste. Basicamente, ela e
sua equipe tinham a função de observar pessoas e os ambientes por
meio das imagens transmitidas pelas câmeras espalhas pelo Reino.
A garota sentia orgulho
de sua função, embora não fosse tão emocionante. Era raro as
câmeras flagrarem confusões ou delitos na Área Leste, uma vez que
era a região mais pacífica do Reino. O lado bom é que também
podia monitorar as terras distantes, além da Cidade.
Às vezes, quando ela
direcionava uma câmera para sobrevoar os campos de plantação e as
florestas, sentia uma paz muito grande, e ficava ainda mais admirada
quando as telas registravam a aparição de uma Fera. Aquelas
criaturas poderiam ser feias e nojentas, mas despertavam certa
curiosidade.
Naquele instante, sua
equipe monitorava as ruas da Área Leste. Cada funcionário tinha seu
respectivo monitor e tudo parecia calmo... Até o alarme tocar. O som
era agudo e fez toda a equipe paralisar. As telas ficaram pretas e
começaram a exibir um pontinho vermelho cruzando uma linha azul.
A imagem foi transferida
para o telão central anexado a uma parede.
- O que está
acontecendo? – perguntou Melissa, levantando-se de sua mesa.
Um homem de sua equipe
respondeu:
- Estamos recebendo o
sinal de um satélite. Algo acabou de entrar na nossa atmosfera. Está
atravessando o Appa.
- Fale uma coisa que eu
já não saiba – ela disse.
Melissa sabia exatamente
o que a imagem estava retratando. Fazia parte do seu treinamento
saber deste tipo de informação. O problema é que ela não tinha o
conhecimento de nenhuma viagem espacial feita nos últimos dias.
Tampouco nos últimos meses.
Sendo assim... O
que
estava entrando no planeta?
- Temos algum registro
de meteoritos orbitando perto de nós?
- Não – respondeu
outro funcionário, clicando em sua tela e verificando os arquivos. –
A órbita está limpa.
Melissa se aproximou do
telão, intrigada.
- O que é você?
- Chefe? O objeto está
se partindo...
Era verdade. A imagem
mostrou que o ponto vermelho se dividiu em três pontinhos. Melissa
soube que não poderia perder tempo. Tampouco poderia ficar nervosa
diante de uma situação desconhecida; não existia protocolo para
isso.
- Acionem os radares –
ela ordenou. – Estabeleçam uma rota de colisão. Aproximem as
câmeras; quero ver o momento do impacto.
Por mais que não
estivesse habituada com tarefas rápidas, a equipe se saiu bem. Com a
ajuda do sistema, o cálculo da trajetória de colisão logo foi
traçado.
- Um dos pedaços vai
cair na nossa região, perto das plantações. Os outros dois... No
litoral, próximo a Dao.
- Ótimo – falou
Melissa, mantendo a calma. – O que as câmeras dizem?
- Conseguiram registrar
a imagem de um deles!
- Fotografe e transfira
para o telão.
A imagem do satélite
foi substituída pela foto de um objeto em chamas, mas não dava para
identificar o que poderia ser.
- Aproximem – pediu
Melissa.
A foto foi ampliada e
então foi possível ver uma estrutura metálica. Mas isso seria
bastante improvável...
- Isso é uma armadura
robótica da Patrulha? – indagou um funcionário.
- É o que parece –
respondeu Melissa. – Imprimam. Tem alguém que precisa ver isso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário